O que é o índice UV e quanto é alto no Brasil?
É uma escala internacional que mede a intensidade da radiação ultravioleta que chega à superfície, começando em zero e sem teto formal. Valores de um a dois são baixos, de três a cinco moderados, de seis a sete altos, de oito a dez muito altos e onze ou mais extremos. O detalhe que importa aqui é a magnitude local: boa parte do território brasileiro registra índices na faixa alta ou muito alta durante a maior parte do ano, e valores extremos são comuns no verão em várias regiões — condição bem diferente da que originou boa parte das recomendações de fotoproteção que circulam traduzidas de países temperados. Altitude e reflexão aumentam ainda mais a exposição: areia, água e concreto claro refletem parte da radiação de volta.
Protetor FPS 30 multiplica meu tempo por 30?
Na teoria sim, na prática quase nunca — e a diferença é grande o bastante para mudar comportamento. O número no rótulo é medido em laboratório com uma quantidade padronizada de produto, cerca de dois miligramas por centímetro quadrado de pele, que é bem mais do que as pessoas aplicam espontaneamente. Estudos que mediram a aplicação real encontram tipicamente um quarto a metade dessa quantidade. O problema é que a relação entre quantidade e proteção não é proporcional: aplicar metade não entrega metade da proteção, entrega algo próximo da raiz quadrada do fator. Um FPS 30 aplicado pela metade se comporta perto de um FPS 5. A conclusão prática não é desistir do filtro, e sim aplicar bem mais do que parece necessário e reaplicar.
Pele negra precisa de protetor solar?
Precisa, e a crença contrária tem consequências documentadas. Mais melanina realmente oferece proteção adicional — o equivalente estimado a um fator baixo, algo em torno de treze — e isso significa que a queimadura demora mais para acontecer, não que não aconteça. Câncer de pele ocorre em pessoas de pele negra, e há um agravante importante: costuma ser diagnosticado em estágio mais avançado, com desfechos piores, em parte porque o rastreamento é menos frequente e porque a apresentação mais comum aparece em locais que ninguém associa a sol — palmas, plantas dos pés e leito ungueal. Isso torna dois hábitos relevantes: usar proteção, e examinar também as áreas que não pegam sol, procurando manchas ou faixas escuras que mudem de aspecto.
Preciso me expor ao sol para produzir vitamina D?
A quantidade necessária é bem menor do que a cultura da exposição sugere, e a produção satura rápido. Poucos minutos de sol em uma área modesta de pele, em horários de índice UV moderado, já acionam a síntese — e continuar exposto depois disso não aumenta a produção, porque o organismo degrada o excesso do precursor. Ou seja, ficar horas ao sol não rende mais vitamina D, apenas mais dano cumulativo. Para quem tem deficiência comprovada, a suplementação é o caminho estabelecido, e é mais previsível e mais segura que a exposição deliberada, sobretudo em quem tem pele clara ou histórico de câncer de pele. A decisão sobre dosar vitamina D e sobre suplementar é clínica, não uma questão de tempo de praia.
A escala de fototipos classifica raça?
Não, e a confusão entre as duas coisas gera erros práticos. A escala foi criada para prever como a pele reage à radiação ultravioleta, com a finalidade original de calcular doses em fototerapia — ela pergunta se a pessoa queima, se bronzeia, e com que facilidade, não a que grupo pertence. Duas pessoas com tom de pele parecido podem ter respostas diferentes à radiação, e é a resposta que a escala tenta capturar. Vale saber também que o instrumento funciona pior nos fototipos mais altos, onde as diferenças de reação são menos discriminadas pelas perguntas originais, e onde ele acaba sendo usado como proxy de cor da pele — exatamente o uso para o qual não foi desenhado. Na dúvida sobre a própria classificação, a resposta que mais importa é a primeira: você queima com facilidade?