É verdade que os ciclos de sono duram 90 minutos?
Noventa minutos é uma média, e tratá-la como número fixo é o principal erro deste tipo de conta. A duração real varia entre pessoas e dentro da mesma noite: os intervalos observados vão aproximadamente de setenta a cento e vinte minutos, e os primeiros ciclos costumam ser mais curtos que os do fim da madrugada. Isso significa que, ao longo de cinco ciclos, o desvio acumulado pode passar de uma hora — bem mais que a precisão de minutos que estas calculadoras costumam sugerir. O resultado continua útil como ponto de partida, mas deve ser lido como uma faixa aproximada, e não como um horário exato a ser perseguido no relógio.
Acordar no meio de um ciclo faz mal?
Não faz mal, mas costuma ser desagradável, e o fenômeno é real. Despertar durante o sono profundo produz a chamada inércia do sono: sensação de confusão, lentidão e desorientação que pode durar de alguns minutos a meia hora, e é bem mais intensa que ao acordar em estágios leves. O problema não está no conceito, e sim na precisão: como a duração dos ciclos varia bastante, nenhuma conta feita fora de um laboratório consegue prever com segurança em que estágio você estará às sete e quinze. Vale mais garantir tempo suficiente de sono do que ajustar o despertador em quinze minutos tentando acertar a janela.
Quanto tempo demoro para pegar no sono?
A referência usual em adultos saudáveis fica entre dez e vinte minutos, e é por isso que esta página soma quinze minutos por padrão. Pegar no sono em menos de cinco minutos de forma consistente costuma indicar privação de sono acumulada, e não eficiência — quem está bem descansado não apaga instantaneamente. No outro extremo, demorar mais de trinta minutos com frequência, ou ficar acordado no meio da noite por longos períodos, é um padrão que merece atenção, sobretudo quando acontece três ou mais vezes por semana durante meses e afeta o dia seguinte. Nesses casos existe tratamento eficaz, e ele não passa por ajustar horários numa calculadora.
Dá para dormir menos se eu acordar na hora certa do ciclo?
Não dá, e essa é a leitura mais equivocada que se faz deste tipo de ferramenta. Acordar em estágio leve torna o despertar mais confortável, mas não substitui as horas que faltaram: as funções restauradoras do sono dependem da quantidade total, e quatro ciclos bem cronometrados continuam sendo seis horas de sono. Se a sua necessidade é de sete a nove horas, terminar a noite em seis com o despertador alinhado apenas troca o desconforto do despertar pelo débito acumulado, que se manifesta em atenção, humor e memória ao longo do dia. A conta serve para escolher entre dormir um pouco mais ou um pouco menos dentro de uma faixa adequada — não para reduzir a faixa.
Acordei antes do despertador. Devo voltar a dormir?
Se faltam poucos minutos e você acordou espontaneamente sentindo-se bem, levantar tende a ser melhor do que voltar a dormir e ser despertado de um estágio profundo pouco depois — é justamente aí que a inércia do sono aparece com mais força. Quando ainda falta bastante tempo e o sono volta com facilidade, dormir é a escolha natural. O que não funciona bem é a soneca repetida do despertador: cada intervalo é curto demais para um sono restaurador e longo o bastante para iniciar um novo ciclo, do qual você é arrancado minutos depois, o que tende a piorar a sensação de cansaço em vez de melhorá-la.