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Risco

STOP-BANG — Risco de Apneia do Sono

Oito perguntas divididas em duas metades bem diferentes: quatro sobre o que você sente, quatro sobre o que você é. Essa divisão explica tanto a força do questionário quanto o seu ponto cego mais conhecido.

8 itens Sintomas vs características Ressalva de subdetecção Sem cadastro
Atualizado em 26 de agosto de 2026

Este questionário aponta muita gente que não tem apneia — e isso é de propósito. Ele nasceu na anestesiologia, onde deixar de detectar é bem mais perigoso que investigar à toa. O resultado é sensibilidade alta e especificidade baixa: uma pontuação baixa tranquiliza mais do que uma pontuação alta alarma. Alta significa investigar, não concluir.

As oito perguntas

STOP — o que você sente

Sintomas relatados. Podem mudar, e são o que leva alguém a procurar ajuda.

SVocê ronca alto? Alto a ponto de ser ouvido através de uma porta fechada, ou de incomodar quem dorme ao lado.
TVocê se sente cansado ou sonolento durante o dia? Com frequência, mesmo depois de uma noite que parecia suficiente.
OAlguém já observou você parar de respirar durante o sono? Pausas, engasgos ou sufocamento presenciados por outra pessoa.
PVocê tem pressão alta ou trata pressão alta? Vale mesmo que esteja controlada com medicação.

BANG — o que você é

Características demográficas e anatômicas. Não dependem de como você se sente.

BSeu índice de massa corporal é maior que 35? Corresponde, por exemplo, a cerca de 104 kg para 1,72 m.
AVocê tem mais de 50 anos?
NSua circunferência do pescoço passa de 40 cm? Medida na altura do pomo de adão, com a fita horizontal e sem comprimir.
GSexo masculino?

O ponto cego que vale conhecer

Sonolência ao volante é emergência, não cansaço. Cochilar dirigindo, perder trechos do trajeto sem lembrar, ou precisar de estratégias para não dormir na estrada são sinais que pedem avaliação sem adiar — e, até lá, não dirigir sonolento. Apneia não tratada aumenta de forma consistente o risco de acidentes, e esse é o desfecho mais imediato de todos os associados a ela.

Última revisão do conteúdo: 26 de agosto de 2026.

Perguntas frequentes

O STOP-BANG diagnostica apneia do sono?

Não diagnostica, e nem foi feito para isso. Ele é um instrumento de triagem, construído para separar quem merece investigação de quem provavelmente não precisa — o diagnóstico depende de um exame que registra a respiração durante o sono, seja a polissonografia completa feita em laboratório ou um teste domiciliar simplificado. Esses exames medem quantas pausas respiratórias acontecem por hora e quanto a oxigenação cai, informações que nenhum questionário consegue estimar. Vale entender a divisão de trabalho: o questionário responde à pergunta sobre valer a pena investigar, e o exame responde sobre existir apneia e qual a gravidade. Pular a segunda etapa por confiar demais na primeira é o erro mais comum.

Por que ele gera tantos falsos positivos?

Porque foi projetado assim, e essa escolha faz sentido no contexto em que ele nasceu. O instrumento surgiu na anestesiologia, para identificar pacientes com apneia antes de uma cirurgia — situação em que deixar de detectar é bem mais perigoso do que investigar alguém que acabará não tendo o problema, já que a apneia não reconhecida aumenta complicações respiratórias durante e depois do procedimento. O resultado é uma ferramenta com sensibilidade alta e especificidade baixa: ela raramente deixa passar quem tem apneia moderada ou grave, mas aponta muita gente que não tem. Na prática isso significa que uma pontuação alta é motivo para investigar, não para se assustar, e que uma pontuação baixa é bem mais tranquilizadora que uma alta é alarmante.

Por que mulheres pontuam menos no STOP-BANG?

Porque metade do questionário trabalha contra elas, e isso contribui para uma subdetecção conhecida. Três dos quatro itens da segunda metade — sexo masculino, circunferência do pescoço acima de quarenta centímetros e índice de massa corporal acima de trinta e cinco — são características em que mulheres pontuam menos por razões anatômicas, independentemente de terem apneia. Some-se a isso que a apresentação clínica costuma diferir: mulheres relatam com mais frequência insônia, fadiga, dor de cabeça matinal e humor deprimido, e com menos frequência o ronco alto e as pausas presenciadas que o questionário privilegia. O efeito somado é que apneia em mulheres é diagnosticada mais tarde e menos vezes. Uma pontuação baixa numa mulher com sono não reparador merece leitura cuidadosa.

Por que perguntam sobre apneia antes de uma cirurgia?

Porque apneia não reconhecida muda o risco do procedimento de forma concreta. Sedativos, anestésicos e analgésicos opioides relaxam a musculatura das vias aéreas e reduzem o estímulo respiratório — exatamente os mecanismos já comprometidos em quem tem apneia. O resultado é maior chance de obstrução, queda de oxigenação e complicações respiratórias no pós-operatório, especialmente nas primeiras noites, quando o efeito residual dos medicamentos ainda existe. Saber de antemão permite ajustes: escolha de medicações, monitorização mais próxima, posicionamento, e uso do aparelho de pressão positiva para quem já tem o diagnóstico. É por isso que o STOP-BANG faz parte da avaliação pré-operatória em muitos serviços, e por que vale mencionar ronco e sonolência ao anestesista.

Roncar sempre significa apneia?

Não, e a distinção importa. Ronco é o som produzido pela vibração dos tecidos moles quando a passagem de ar está parcialmente estreitada, e boa parte das pessoas que ronca não tem pausas respiratórias significativas — é o chamado ronco primário, que incomoda quem dorme ao lado mas não fragmenta o sono nem derruba a oxigenação. A apneia envolve interrupções do fluxo de ar, com quedas de oxigênio e microdespertares repetidos que a pessoa não percebe. O que diferencia clinicamente costuma ser o conjunto: ronco alto acompanhado de pausas observadas, engasgos noturnos, sono que não descansa e sonolência durante o dia. Também vale lembrar o inverso: existe apneia sem ronco proeminente, sobretudo em pessoas magras e em mulheres.

Instrumento
STOP-BANG. Chung F et al., Anesthesiology, 2008, desenvolvido para triagem pré-operatória
Itens
Ronco, cansaço, pausas observadas, pressão alta, IMC acima de 35, idade acima de 50, pescoço acima de 40 cm e sexo masculino
Faixas
0 a 2 risco baixo; 3 a 4 risco intermediário; 5 a 8 risco alto
Desempenho
Sensibilidade alta e especificidade baixa por desenho. Bom para descartar, fraco para confirmar
Limitação conhecida
Subdetecção em mulheres — três dos quatro itens BANG desfavorecem a pontuação feminina, e a apresentação clínica costuma diferir
Diagnóstico
Polissonografia ou teste domiciliar do sono. Nenhum questionário mede pausas por hora nem queda de oxigenação
Publicado em
26 de agosto de 2026
Próxima revisão
fevereiro de 2027
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Aviso. Esta ferramenta é informativa e não substitui avaliação médica. Apneia do sono tem tratamento eficaz, e o primeiro passo é a investigação com exame apropriado.