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Risco

FINDRISC — Risco de Diabetes Tipo 2

Oito perguntas que estimam a chance de desenvolver diabetes tipo 2 nos próximos anos. Com o gráfico que separa o que você pode mudar do que já está registrado — e com a ressalva de que o escore nasceu na Finlândia.

8 itens Contribuição de cada um Modificável vs fixo Sem cadastro
Atualizado em 26 de agosto de 2026

Metade dos itens é modificável, e isso não é detalhe. Grandes ensaios de prevenção mostraram que mudanças no estilo de vida reduzem substancialmente a chance de progressão em pessoas de alto risco — com efeito que persistiu por muitos anos depois do fim dos programas. Um escore alto descreve a situação atual, não um destino.

As oito perguntas

1Qual a sua idade?
2Peso e altura Usados apenas para o item de índice de massa corporal do escore.
kg
cm
3Circunferência da cintura No ponto médio entre a última costela e o topo do osso do quadril — não na linha do umbigo.
cm
4Você faz pelo menos 30 minutos de atividade física por dia? Conta o que é feito no trabalho, no deslocamento e no lazer, somados.
5Você come vegetais, frutas ou verduras todos os dias?
6Você já tomou medicamento para pressão alta regularmente?
7Você já teve glicemia alta detectada alguma vez? Em exame de rotina, durante uma doença ou numa gestação.
8Algum familiar tem ou teve diabetes?

O que o escore não pergunta

O escore também detecta o presente. Ele foi criado para estimar risco futuro, mas pontuações altas identificam bem quem já tem diabetes sem saber — e o diabetes tipo 2 costuma ser silencioso por anos, sem sede excessiva e sem qualquer sintoma perceptível, enquanto o dano vascular se acumula devagar. Por isso um resultado elevado é motivo para fazer um exame de glicemia agora, e não apenas para pensar no futuro.

Última revisão do conteúdo: 26 de agosto de 2026.

Perguntas frequentes

O FINDRISC funciona no Brasil?

Funciona razoavelmente, com uma ressalva que vale conhecer: ele foi construído e validado numa população finlandesa, e escores de risco costumam perder desempenho quando aplicados a populações diferentes daquela em que nasceram. Estudos que testaram o instrumento em amostras brasileiras encontraram capacidade discriminatória aceitável, mas alguns propuseram pontos de corte diferentes dos originais, porque a distribuição dos fatores de risco não é a mesma. Além disso, a prevalência de diabetes varia bastante entre regiões e grupos, e isso afeta o significado de qualquer pontuação. A leitura prática é usar o resultado como um empurrão para conversar com o médico e fazer um exame de glicemia, e não como uma estimativa numérica precisa da sua chance individual.

O escore detecta algo além de risco futuro?

Sim, e essa é uma utilidade que muita gente desconhece. O instrumento foi criado para estimar a chance de desenvolver diabetes nos anos seguintes, mas estudos mostraram que pontuações altas também identificam bem quem já tem diabetes sem saber ou está com glicemia alterada no momento. Isso importa porque o diabetes tipo dois costuma ser silencioso por anos — pode existir sem sede excessiva, sem emagrecimento e sem qualquer sintoma perceptível, enquanto danos em vasos, rins, olhos e nervos vão se acumulando devagar. Por isso um escore elevado não deve ser lido apenas como aviso sobre o futuro: ele é motivo para fazer um exame de glicemia agora, porque parte das pessoas nessa faixa descobre que a alteração já está presente.

Como medir a cintura corretamente?

A técnica muda o resultado o bastante para trocar a pontuação, então vale fazer com cuidado. A medida deve ser tomada com a pessoa em pé, pés afastados na largura dos ombros, com a fita passando na altura do ponto médio entre a última costela e o topo do osso do quadril — não na linha do umbigo, que é o erro mais comum e costuma produzir valores maiores. A fita fica na horizontal, encostada na pele sem comprimir, e a leitura é feita ao final de uma expiração normal, sem prender a respiração nem contrair a barriga. Repetir a medida duas ou três vezes e usar a média reduz bastante a variação. Roupas grossas entre a fita e a pele também alteram o número.

Quais itens do escore eu posso mudar?

Metade dos oito itens é modificável, e essa separação é a informação mais acionável do teste. Atividade física e consumo diário de vegetais e frutas dependem diretamente de hábito. Circunferência da cintura e índice de massa corporal mudam com o tempo e com mudanças sustentadas de rotina. Já idade, histórico familiar, glicemia alterada no passado e uso prévio de medicação para pressão são registros do que já aconteceu — não se apagam. Vale destacar o que a evidência mostra sobre a parte modificável: grandes ensaios de prevenção de diabetes demonstraram que mudanças no estilo de vida reduzem substancialmente a chance de progressão em pessoas de alto risco, com efeito que se manteve por muitos anos após o fim dos programas.

Escore baixo significa que não preciso me preocupar?

Significa que a probabilidade é menor, não que ela seja zero — e há situações em que um escore baixo engana. O instrumento não pergunta sobre diabetes gestacional prévio, que é um fator de risco importante e frequentemente esquecido; não considera síndrome dos ovários policísticos; e não capta bem o risco em pessoas mais jovens, já que a idade contribui pouco antes dos quarenta e cinco anos. Também não pergunta sobre uso de medicações que afetam a glicemia, como corticoides. Além disso, o risco não é estático: um escore baixo hoje não vale para sempre, e refazer o teste a cada alguns anos faz sentido. Se existe algum desses fatores no seu histórico, vale mencioná-lo ao médico independentemente da pontuação.

Instrumento
FINDRISC — Finnish Diabetes Risk Score. Lindström J, Tuomilehto J, Diabetes Care, 2003
Pontuação
Oito itens somando de 0 a 26 pontos: idade, IMC, cintura, atividade física, consumo de vegetais, medicação para pressão, glicemia alterada prévia e histórico familiar
Faixas
Abaixo de 7 risco baixo; 7 a 11 levemente elevado; 12 a 14 moderado; 15 a 20 alto; acima de 20 muito alto
Origem populacional
Derivado e validado na Finlândia. Estudos em amostras brasileiras encontraram desempenho aceitável, alguns propondo cortes diferentes
Uso adicional
Pontuações altas também identificam diabetes já presente e não diagnosticado
O que a página não faz
Não diagnostica, não estima probabilidade individual precisa e não substitui exame de glicemia
Publicado em
26 de agosto de 2026
Próxima revisão
fevereiro de 2027
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