Qual a diferença entre gasto bruto e gasto adicional?
Gasto bruto é tudo o que o corpo consumiu durante a atividade, incluindo o que ele consumiria de qualquer jeito só por estar vivo naquele período. Gasto adicional é o que sobra depois de descontar essa parte — é o que a atividade realmente acrescentou. A diferença costuma ser de dez a vinte por cento em exercícios intensos e bem mais em atividades leves: numa hora de caminhada tranquila, quase um quarto do total teria acontecido mesmo se você estivesse sentado. Quase todas as calculadoras e aparelhos mostram o valor bruto sem avisar, o que faz o exercício parecer render mais do que rende.
Exercício serve para emagrecer?
Serve, mas o efeito direto pelas calorias gastas é menor do que a fama sugere — e o efeito indireto é maior. Uma hora de caminhada gasta algo em torno do que há num lanche modesto, e o corpo tende a compensar parte disso comendo um pouco mais ou se movimentando um pouco menos no resto do dia. Por isso mudanças de peso raramente vêm apenas do exercício. O que a atividade física faz muito bem é outra coisa: preserva massa magra durante a perda de peso, melhora pressão, glicemia e perfil lipídico independentemente do peso, e é o fator mais consistente entre quem consegue manter o peso perdido a longo prazo. Emagrecer com exercício funciona; emagrecer só contando as calorias dele, nem tanto.
O que é MET afinal?
É a unidade que mede quantas vezes uma atividade custa mais do que ficar parado. Um MET corresponde ao consumo de oxigênio em repouso sentado, e uma atividade de quatro METs gasta quatro vezes isso. A vantagem da escala é que ela funciona para qualquer pessoa: como o gasto em repouso já é proporcional ao tamanho do corpo, multiplicar por METs ajusta automaticamente para quem pesa mais ou menos. Os valores usados aqui vêm do Compêndio de Atividades Físicas, uma compilação que reúne medições de consumo de oxigênio em centenas de atividades. Eles são médias de população, não medidas suas.
A tabela subestima a musculação?
Subestima o valor da musculação, sim, embora acerte razoavelmente o gasto durante a sessão. Treino de força tem muito tempo de descanso entre séries, o que derruba a média de intensidade e faz o número final parecer decepcionante frente a uma corrida. O que a conta não captura é o restante: o consumo de oxigênio permanece elevado por horas depois do treino, e o efeito mais importante nem é calórico — é a manutenção e o ganho de massa magra, o tecido que sustenta o gasto de repouso todos os dias. Avaliar musculação pelas calorias da sessão é olhar para o lugar errado.
Quem pesa mais gasta mais no mesmo exercício?
Gasta, e proporcionalmente ao peso, porque mover um corpo maior custa mais energia. Uma pessoa de cem quilos gasta cerca de o dobro de uma de cinquenta na mesma caminhada, na mesma velocidade e pelo mesmo tempo. Isso tem uma consequência prática pouco comentada: conforme alguém perde peso, o mesmo treino passa a gastar menos, e uma rotina que funcionava no início rende um pouco menos alguns quilos depois. Não é sinal de que o corpo parou de responder — é aritmética. Vale recalcular o gasto de vez em quando, do mesmo jeito que se recalcula a necessidade energética.