O que significa ser Rh negativo?
O fator Rh é uma proteína que pode ou não estar presente na superfície das hemácias. Quem tem essa proteína é classificado como Rh positivo, e quem não tem, como Rh negativo — é só isso, sem nenhuma implicação para a saúde no dia a dia. Cerca de quinze por cento das pessoas de origem europeia são Rh negativas, com proporções menores em outras populações. A característica só ganha importância em duas situações: transfusão de sangue e gestação. Na gravidez, ela interessa quando uma pessoa Rh negativa carrega um bebê Rh positivo, porque o organismo materno pode reconhecer as hemácias do bebê como estranhas e produzir anticorpos contra elas.
Sou Rh negativa e meu parceiro é positivo. Meu bebê corre risco?
Essa combinação é a única que permite incompatibilidade, mas na prática o desfecho temido tornou-se raro justamente porque existe prevenção muito eficaz. A imunoglobulina anti-D, aplicada em torno da vigésima oitava semana e novamente logo após o parto quando o bebê nasce Rh positivo, impede que o organismo materno produza os anticorpos. Onde o protocolo é seguido, a doença hemolítica por Rh caiu drasticamente e hoje é considerada em grande parte evitável. No Brasil, tanto a tipagem sanguínea quanto o teste de Coombs indireto e a própria imunoglobulina são oferecidos gratuitamente pelo SUS dentro do pré-natal.
A primeira gravidez corre risco?
Na maior parte das vezes não, e entender o motivo ajuda a dimensionar a situação. A passagem de hemácias do bebê para a circulação materna em quantidade significativa costuma acontecer no momento do parto, quando aquela gestação já está terminando. Os anticorpos produzidos a partir daí não afetam o bebê que acabou de nascer, mas permanecem no organismo e podem atravessar a placenta numa gestação seguinte, atacando as hemácias de um próximo bebê Rh positivo. É por isso que o risco recai sobre as gestações subsequentes, e também por isso que a prevenção depois do parto é tão importante mesmo quando tudo correu bem. Vale notar que sangramentos, traumas e procedimentos durante a gestação também podem provocar essa passagem antes do parto.
Quando devo tomar a imunoglobulina anti-D?
O esquema habitual tem dois momentos principais e alguns extras conforme o que acontece na gestação. O primeiro é uma aplicação em torno da vigésima oitava semana, de forma preventiva. O segundo acontece após o parto, idealmente dentro das primeiras setenta e duas horas, e só é necessário quando a tipagem do bebê mostra Rh positivo. Além disso, há indicação após eventos que possam ter provocado passagem de sangue: sangramento vaginal, aborto, gravidez ectópica, trauma abdominal, procedimentos invasivos como amniocentese, e versão externa. As datas e as doses quem define é a equipe do pré-natal, e o registro deve constar no seu cartão.
E se eu tiver um aborto ou sangramento?
Nesses casos a imunoglobulina também tem indicação, e essa é uma informação que costuma passar despercebida em momentos já difíceis. Perda gestacional, gravidez ectópica, sangramento em qualquer fase e trauma abdominal são situações em que hemácias do bebê podem entrar na circulação materna e desencadear a produção de anticorpos, mesmo bem no início da gestação. Por isso, se você é Rh negativa e passou por qualquer uma dessas situações, é importante mencionar que a imunoglobulina pode estar indicada — o prazo ideal de aplicação é de até setenta e duas horas. Não é uma pergunta inconveniente de fazer numa emergência; é parte do cuidado.