Como se define que a menopausa chegou?
A definição é retrospectiva e tem um detalhe que surpreende: só se sabe que a menopausa aconteceu depois de doze meses consecutivos sem menstruação, sem outra causa que explique a ausência. A data da menopausa passa a ser então a da última menstruação — ou seja, ela é identificada olhando para trás. O período anterior, com ciclos irregulares e sintomas, chama-se transição menopausal ou perimenopausa, e é nele que a maioria das queixas aparece. Exames hormonais costumam ser dispensáveis para o diagnóstico em quem tem a idade esperada e o quadro típico, porque os níveis oscilam bastante nessa fase e uma dosagem isolada pode confundir mais que ajudar.
Ainda posso engravidar durante a transição?
Pode, e essa é uma das informações mais importantes desta página. A fertilidade cai bastante nessa fase, mas ovulações continuam acontecendo de forma imprevisível enquanto houver qualquer sangramento — e gestações não planejadas nesse período são mais comuns do que se imagina, justamente porque muitas mulheres presumem que já não há risco. A orientação usual é manter contracepção até completar doze meses sem menstruação, e por mais tempo em quem chega a essa fase antes dos cinquenta anos, já que a chance de retomada é maior. Vale conversar sobre qual método faz sentido nessa etapa, porque as opções mudam com a idade e com outros fatores de saúde.
Quanto tempo duram os sintomas?
Bem mais do que costuma ser dito, e essa expectativa mal calibrada é fonte de frustração. Estudos de acompanhamento longo encontraram duração média dos sintomas vasomotores — os calores e suores noturnos — em torno de sete anos, com boa parte das mulheres relatando queixas por dez anos ou mais. Quem começa a apresentar sintomas ainda com ciclos regulares tende a ter um período mais longo. A intensidade também varia enormemente: uma parcela passa por essa fase com desconforto leve, enquanto para outras os sintomas afetam sono, trabalho e relações de forma significativa. Aceitar em silêncio porque é uma fase natural não é a única opção — existem tratamentos eficazes.
Terapia hormonal é perigosa?
A resposta mudou bastante desde os anos dois mil, e vale entender por quê. Um grande estudo divulgado naquela época gerou alarme e levou a uma queda abrupta no uso, mas análises posteriores mostraram que os resultados haviam sido generalizados de forma inadequada: a população estudada era em média bem mais velha e distante do início da menopausa do que as mulheres que tipicamente buscam tratamento. As posições atuais das principais sociedades convergem em que, para mulheres saudáveis com menos de sessenta anos ou dentro de dez anos do início da menopausa, os benefícios superam os riscos no controle de sintomas moderados a intensos. Há contraindicações específicas e existem alternativas não hormonais eficazes — essa avaliação é individual e cabe ao médico.
Ressecamento e sintomas urinários melhoram sozinhos?
Não melhoram, e é aqui que mora a diferença mais importante em relação aos calores. Enquanto os sintomas vasomotores tendem a diminuir com o tempo, as alterações genitais e urinárias costumam ser progressivas se não tratadas — ressecamento, dor na relação, ardência, urgência urinária e infecções de repetição tendem a piorar ao longo dos anos. A boa notícia é que existe tratamento local bastante eficaz, com absorção sistêmica mínima, aplicável inclusive em muitas mulheres que não podem usar terapia hormonal sistêmica. O obstáculo real costuma ser outro: esses sintomas raramente são mencionados espontaneamente na consulta, por constrangimento, e o profissional nem sempre pergunta.