Por que já conto semanas de gestação no dia da transferência?
Porque a contagem gestacional não começa na fecundação, e sim num ponto convencional situado cerca de duas semanas antes dela — o primeiro dia da menstruação numa gestação espontânea. Como esse marco não existe na fertilização in vitro, ele é reconstruído: soma-se duas semanas ao momento da coleta dos óvulos e acrescenta-se a idade que o embrião tinha ao ser transferido. É por isso que uma transferência de blastocisto de cinco dias já corresponde a duas semanas e cinco dias de gestação no próprio dia do procedimento. Nada de estranho aconteceu no seu corpo antes disso; a convenção é apenas o alinhamento com a forma como toda a obstetrícia conta.
A data calculada pela FIV é mais confiável que a do ultrassom?
É, e por uma razão simples: aqui não há incerteza sobre quando a fecundação aconteceu. Em gestações espontâneas a data depende da memória da última menstruação e da suposição de que a ovulação ocorreu num determinado dia, o que introduz margem. Na fertilização in vitro, a coleta e a transferência têm data e hora registradas, então a idade gestacional é conhecida com precisão de horas. Por isso, a datação estabelecida pela clínica não deve ser modificada por ultrassons posteriores, mesmo quando a medida sugere alguns dias de diferença — variações de tamanho entre embriões são esperadas e não significam que a data esteja errada.
Transferência a fresco e congelada mudam o cálculo?
Não mudam, e essa é uma dúvida frequente. O que entra na conta é a idade do embrião no momento em que ele foi transferido, não o tempo que ele passou congelado nem a data em que os óvulos foram coletados originalmente. Um blastocisto de cinco dias transferido depois de dois anos de criopreservação conta exatamente como um blastocisto de cinco dias transferido a fresco: o desenvolvimento fica suspenso durante o congelamento e retoma do ponto em que parou. Por isso, em ciclos com embriões congelados, a data da coleta original não tem papel na datação — o que importa é o dia da transferência e o estágio do embrião.
Quando fazer o teste e o primeiro ultrassom?
O teste de sangue que dosa o hormônio da gestação costuma ser marcado pela clínica em torno de nove a doze dias após a transferência, com o intervalo variando conforme o estágio do embrião e o protocolo de cada serviço. Antes disso, testes de farmácia produzem resultados pouco confiáveis e podem sofrer interferência de medicações usadas no ciclo, o que gera angústia sem informação. O primeiro ultrassom em geral acontece entre duas e três semanas depois do teste positivo, quando já é possível visualizar o saco gestacional e, um pouco mais tarde, os batimentos. As datas exatas quem define é a sua clínica, e vale seguir o que ela orientou.
A gestação por FIV é acompanhada de forma diferente?
Em boa parte dos aspectos o pré-natal é o mesmo, mas há particularidades. As primeiras semanas costumam ter mais consultas e exames, tanto pelo acompanhamento hormonal quanto pela suplementação de progesterona que muitos protocolos mantêm no início. Gestações por reprodução assistida têm maior frequência de gemelaridade quando mais de um embrião é transferido, e isso por si só muda o acompanhamento. Alguns desfechos aparecem com frequência ligeiramente maior nesse grupo, o que costuma refletir também as condições que levaram ao tratamento e a idade materna — motivo pelo qual o seguimento tende a ser mais próximo. Nada disso indica que a gestação seja frágil; significa que ela é observada com mais atenção.