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Índices de Eletrólitos

Ânion gap, osmolaridade calculada e sódio corrigido — os três cálculos que aparecem em prontuário e raramente vêm explicados. Com a conversão de ureia para BUN que as fórmulas estrangeiras exigem e que quase nenhuma calculadora faz.

3 cálculos Ureia → BUN automática Correção pela albumina Sem cadastro
Atualizado em 26 de agosto de 2026

Estes são cálculos de beira de leito

Ânion gap, osmolaridade calculada e sódio corrigido servem para raciocinar sobre distúrbios ácido-base e de sódio em quem está sendo avaliado num pronto-socorro ou numa internação. Quem realmente precisa desses números já está sob cuidado de uma equipe que os calcula.

O uso legítimo desta página é entender o que significam os itens de um laudo ou prontuário que você recebeu — seu ou de alguém que você acompanha.

Ela não serve para autoavaliação. A decisão de procurar atendimento se baseia em sintomas e no quadro geral, nunca em índices calculados em casa.

Seus exames

mEq/L
mEq/L
mEq/L

Pode aparecer como HCO₃ ou CO₂ total.

g/dL

Corrige o ânion gap. Deixe em branco se não tiver.

Para osmolaridade e sódio corrigido

mg/dL
mg/dL

A ureia do laudo brasileiro. A conversão para BUN é feita aqui.

Detalhes que mudam o resultado

Sobre o que estes números não dizem. Distúrbios ácido-base e de sódio raramente se resolvem com um índice: a interpretação envolve gasometria, histórico, medicações em uso, velocidade de instalação e o quadro clínico. A velocidade, aliás, costuma importar mais que o valor — uma queda rápida de sódio produz sintomas que a mesma cifra atingida lentamente não produz. Nada disso se avalia a distância.

Última revisão do conteúdo: 26 de agosto de 2026.

Perguntas frequentes

Estes cálculos são para pacientes internados?

Na prática, sim — e vale dizer isso com clareza. Ânion gap, osmolaridade calculada e sódio corrigido são ferramentas de beira de leito, usadas para raciocinar sobre distúrbios ácido-base e de sódio em quem está sendo avaliado num pronto-socorro ou numa internação. Quem realmente precisa desses números já está sob cuidado de uma equipe que os calcula. O uso legítimo desta página é outro: entender o que significam os itens de um laudo ou de um prontuário que você recebeu, seja seu ou de alguém que você acompanha. Ela não serve para autoavaliação nem para decidir se procurar atendimento — essa decisão se baseia em sintomas e no quadro geral, não em índices calculados.

Meu laboratório informa ureia e não BUN. Como converter?

Essa é a confusão mais comum ao usar fórmulas estrangeiras no Brasil, e ela distorce bastante o resultado. A fórmula clássica de osmolaridade usa o nitrogênio ureico do sangue, o BUN, que é a fração de nitrogênio contida na ureia. Laboratórios brasileiros costumam reportar a ureia inteira, que é um número mais alto — a conversão é dividir a ureia por dois vírgula catorze para obter o BUN. Aplicar a fórmula direto com a ureia brasileira infla a osmolaridade calculada de forma relevante, com erro que cresce conforme a ureia sobe, e pode fazer parecer que existe um gap osmolar quando não existe. Esta página faz a conversão automaticamente e mostra os dois valores para que a diferença fique visível.

Por que corrigir o ânion gap pela albumina?

Porque a albumina é o principal ânion não medido que compõe o gap normal, e quando ela cai o gap cai junto — mascarando acidoses que estariam evidentes com albumina normal. O efeito é considerável: cada grama por decilitro a menos de albumina reduz o gap em cerca de dois vírgula cinco unidades, o que significa que alguém com albumina de dois pode ter um gap aparentemente normal escondendo uma elevação real de cinco pontos. Como hipoalbuminemia é extremamente comum em pacientes internados, doentes crônicos e desnutridos, a correção deixa de ser um refinamento e vira necessidade nesses grupos. Deixar de aplicá-la é um erro clássico e bastante frequente, e é por isso que esta página calcula as duas versões lado a lado.

Sódio corrigido na hiperglicemia: fator 1,6 ou 2,4?

As duas propostas convivem, e a diferença entre elas não é trivial. O fator clássico, de um vírgula seis, vem de trabalhos mais antigos e é o mais difundido; uma reanálise experimental posterior propôs dois vírgula quatro, argumentando que o deslocamento de água causado pela glicose é maior do que se estimava, especialmente em hiperglicemias importantes. Em valores de glicose moderadamente elevados a diferença entre os dois fatores é pequena, mas em glicemias muito altas ela pode chegar a vários pontos de sódio — o suficiente para mudar a leitura de normal para elevado. Não há consenso definitivo, e por isso esta página mostra os dois resultados. Na prática clínica, quem interpreta considera o conjunto, incluindo a evolução ao longo do tratamento.

O que é gap osmolar?

É a diferença entre a osmolaridade medida diretamente no laboratório e a osmolaridade calculada pela fórmula, e sua utilidade está em revelar o que a fórmula não enxerga. A equação só contabiliza sódio, glicose e ureia, então uma diferença expressiva entre medida e calculada indica a presença de partículas osmoticamente ativas que não foram medidas. O uso clássico é na suspeita de intoxicação por álcoois tóxicos, como metanol e etilenoglicol, situações em que o reconhecimento precoce muda o desfecho de forma dramática. O etanol comum também eleva o gap, e por isso precisa ser considerado antes de conclusões. Vale notar que um gap normal não descarta intoxicação, especialmente se a apresentação for tardia, quando o álcool já foi metabolizado.

Ânion gap
Na − (Cl + HCO₃). Faixa de referência aproximada de 8 a 12 mEq/L, variável conforme o método de dosagem de cloro do laboratório
Correção pela albumina
Ânion gap corrigido = ânion gap + 2,5 × (4,0 − albumina em g/dL)
Osmolaridade calculada
2 × Na + glicose/18 + BUN/2,8, com BUN obtido dividindo a ureia por 2,14. Referência aproximada de 275 a 295 mOsm/L
Sódio corrigido
Na + fator × (glicose − 100) ÷ 100. Fator clássico 1,6; proposta posterior de 2,4. A página mostra os dois
Gap osmolar
Osmolalidade medida menos calculada. Exige a medida direta, feita apenas em laboratório
O que a página não faz
Não diagnostica distúrbios ácido-base, não avalia gravidade e não substitui gasometria nem avaliação presencial
Publicado em
26 de agosto de 2026
Próxima revisão
fevereiro de 2027
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Aviso. Esta ferramenta é informativa e não substitui avaliação médica. Alterações de eletrólitos e do equilíbrio ácido-base são situações que se avaliam presencialmente, com o quadro clínico completo.