brasil-produtosCalculadoras
Exames

Índice FIB-4

Uma triagem de fibrose hepática que se calcula com quatro dados que você provavelmente já tem. Com três informações que raramente vêm junto: ele funciona melhor para descartar do que para confirmar, o limite inferior muda depois dos 65 anos, e a zona indeterminada é grande de propósito.

Corte ajustado por idade Zona indeterminada explícita Próximo passo indicado Sem cadastro
Atualizado em 26 de agosto de 2026

Este índice descarta bem e confirma mal. Um valor abaixo do limite inferior torna fibrose avançada improvável, e é para isso que ele serve como primeiro filtro. Um valor acima do limite superior não confirma nada — aumenta a probabilidade e indica seguir para um exame com melhor capacidade de confirmar, como a elastografia.

Seus exames

anos

Entra multiplicando — por isso o limite muda com a idade.

mil/mm³

O mesmo que 10⁹/L no hemograma.

U/L
U/L

O que altera o índice sem ser fibrose

O que costuma estar por trás. A causa mais comum de fibrose hepática hoje é a doença hepática associada à disfunção metabólica, ligada a obesidade, diabetes tipo 2 e dislipidemia — e ela costuma ser silenciosa por anos. Consumo de álcool, hepatites B e C, e uso de certos medicamentos são outras causas frequentes, e não se excluem entre si. Como os caminhos de investigação diferem, quem define a sequência é o médico que conhece o conjunto.

Última revisão do conteúdo: 26 de agosto de 2026.

Perguntas frequentes

O FIB-4 serve para descartar ou para confirmar fibrose?

Serve muito melhor para descartar, e essa assimetria define como o índice deve ser usado. Um valor abaixo do limite inferior tem alto valor preditivo negativo, o que significa que fibrose avançada se torna improvável — e é justamente essa capacidade que o torna útil como primeiro filtro em grande escala, evitando encaminhamentos e exames desnecessários. No sentido oposto o desempenho é bem mais modesto: um valor acima do limite superior aumenta a probabilidade de fibrose avançada, mas está longe de confirmá-la, e boa parte das pessoas nessa faixa não tem doença avançada quando investigada. Por isso um resultado alto não é um diagnóstico, e sim uma indicação de seguir para um exame com melhor capacidade de confirmar, como a elastografia.

Por que a zona indeterminada é tão grande?

Porque ela é o preço de ter dois limites em vez de um. Um único ponto de corte forçaria toda pessoa a cair de um lado ou do outro, gerando muitos erros nos dois sentidos; usar dois limites cria uma faixa central onde o índice honestamente não decide. Em populações rastreadas, uma parcela expressiva das pessoas cai nessa zona — estimativas comuns falam em torno de um terço. Isso frustra, mas é informação verdadeira: significa que os exames disponíveis não bastam para aquele caso e que a investigação precisa continuar. Tratar a zona indeterminada como se fosse normal é o erro mais comum e o mais custoso, porque é exatamente ali que se perdem pessoas com doença que poderia ser acompanhada.

O ponto de corte muda com a idade?

Muda, e ignorar isso gera muitos resultados falsamente alterados em pessoas mais velhas. A idade entra multiplicando na fórmula, então o valor sobe naturalmente com o passar dos anos mesmo sem qualquer doença hepática — o que faz o limite inferior padrão perder especificidade a partir dos sessenta e cinco anos. A recomendação que emergiu de estudos nessa faixa etária é elevar o limite inferior, com valores em torno de dois sendo os mais citados, mantendo o limite superior. Na prática isso reduz bastante os encaminhamentos desnecessários sem perder os casos relevantes. Vale o contrário também: em pessoas jovens, o índice foi menos estudado e um valor limítrofe merece leitura mais cautelosa.

O que altera o FIB-4 sem ser fibrose?

Vários fatores, porque nenhum dos quatro componentes é específico do fígado. As plaquetas entram dividindo, então qualquer causa de plaquetas baixas eleva o índice: dengue e outras infecções agudas, uso de certos medicamentos, doenças da medula óssea e o próprio hiperesplenismo. As transaminases sobem em hepatites virais agudas, em lesão por medicamentos, em doenças musculares — a AST também vem do músculo, e exercício intenso nos dias anteriores pode elevá-la — e em muitas outras situações transitórias. É por isso que o índice não é validado em quadros agudos e deve ser calculado com exames de um momento estável. Um resultado alterado colhido durante uma virose ou logo após atividade física extenuante merece repetição antes de qualquer conclusão.

Qual o próximo passo se o resultado der alterado?

O caminho habitual é um exame com melhor capacidade de estimar rigidez do fígado, e o mais disponível é a elastografia hepática, feita por aparelho dedicado ou acoplada ao ultrassom. Ela mede a velocidade com que uma onda atravessa o tecido, e tecido fibrosado conduz mais rápido — o que permite estimar o grau de fibrose sem biópsia. Existem também painéis de marcadores séricos usados com a mesma finalidade. A biópsia hepática, que já foi o padrão, hoje fica reservada a casos em que os métodos não invasivos não resolvem ou em que há dúvida sobre a causa. Quem define a sequência é o médico, porque ela depende do contexto: fatores metabólicos, consumo de álcool, hepatites virais e uso de medicamentos levam a caminhos diferentes.

Fórmula
FIB-4 = (idade × AST) ÷ (plaquetas em 10⁹/L × √ALT). Sterling RK et al., Hepatology, 2006
Pontos de corte
Abaixo de 1,30 torna fibrose avançada improvável; acima de 2,67 aumenta a probabilidade. Entre os dois, zona indeterminada
Ajuste por idade
A partir de 65 anos, recomenda-se elevar o limite inferior para cerca de 2,0, mantendo o superior — o limite padrão perde especificidade nessa faixa
Desempenho
Alto valor preditivo negativo e desempenho modesto para confirmar. É teste de triagem, não de diagnóstico
Não validado
Quadros agudos, hepatites virais agudas, lesão hepática medicamentosa em curso e situações de plaquetopenia por outras causas
Próximo passo usual
Elastografia hepática ou painéis séricos de fibrose. A biópsia fica reservada a casos não resolvidos por métodos não invasivos
Publicado em
26 de agosto de 2026
Próxima revisão
fevereiro de 2027
Seus dados
O cálculo roda no navegador. Nada é enviado nem armazenado.
Aviso. Esta ferramenta é informativa e não substitui avaliação médica. O FIB-4 é uma etapa de triagem cujo resultado orienta a próxima investigação — nunca um diagnóstico, em nenhuma das três faixas.