A previsão de maratona costuma errar para qual lado?
Quase sempre para o lado otimista, e essa é a falha mais conhecida da fórmula. O expoente original foi ajustado a partir de resultados de corredores de alto nível, gente que treina volume alto e distribui ritmo com precisão. Corredores recreativos desviam desse padrão exatamente na maratona: análises de bases grandes de resultados mostram tempos reais mais lentos que o previsto, com frequência de cinco a dez por cento acima, e às vezes bem mais. Em números concretos, isso significa que uma previsão de três horas e trinta pode virar três horas e cinquenta na prática. A recomendação prática é tratar a previsão de maratona como o cenário mais favorável possível, e não como alvo de ritmo.
Por que a maratona é tão diferente das outras distâncias?
Porque um fator entra em jogo que simplesmente não existe nas provas curtas: o esgotamento das reservas de carboidrato. O organismo armazena glicogênio suficiente para algo em torno de noventa a cento e vinte minutos de esforço intenso, e a maratona ultrapassa isso na maioria das pessoas — daí o fenômeno de bater na parede, com queda abrupta de ritmo depois do trigésimo quilômetro. Nenhuma fórmula de equivalência modela isso, porque ela descreve apenas a relação matemática entre distância e tempo. Some-se o desgaste muscular acumulado, a desidratação e as questões digestivas que aparecem em provas longas, e fica claro por que a maratona é a distância em que qualquer previsão erra mais.
A partir de qual distância a previsão fica confiável?
A confiabilidade depende menos da distância em si e mais do tamanho do salto entre elas. Previsões entre distâncias vizinhas funcionam bem: prever dez quilômetros a partir de cinco, ou meia maratona a partir de dez, costuma errar pouco. O problema aparece quando o salto é grande — usar um resultado de cinco quilômetros para prever maratona significa multiplicar a distância por mais de oito, e cada dobra amplifica o desvio. Uma regra prática razoável é confiar em previsões dentro de um fator de duas a três vezes a distância de referência, e tratar tudo além disso como indicação vaga. Para maratona, o melhor preditor disponível é um resultado recente de meia maratona.
O que a fórmula assume sobre o meu treino?
Assume que você está igualmente preparado para as duas distâncias, e esse pressuposto silencioso é responsável por boa parte das frustrações. A equivalência descreve o que um mesmo corredor faria em provas diferentes se estivesse adequadamente treinado para cada uma — não o que alguém treinado só para cinco quilômetros faria numa maratona. Quem corre distâncias curtas rápido mas nunca ultrapassou quinze quilômetros nos treinos não tem a adaptação necessária para sustentar ritmo por mais de três horas, e nenhuma conta compensa isso. Por outro lado, quem acumula volume alto costuma superar a previsão nas distâncias longas, porque a resistência específica que desenvolveu não aparece nos tempos curtos.
Posso prever meu 5 km a partir da maratona?
Pode, e curiosamente esse sentido costuma ser mais confiável que o contrário. A razão é que os fatores que sabotam a previsão para cima — esgotamento de glicogênio, desgaste muscular acumulado, problemas digestivos — não têm equivalente na direção oposta. Quem completou uma maratona já demonstrou a base aeróbica necessária, e a previsão de uma prova curta a partir dela tende a ser conservadora, ou seja, o corredor frequentemente supera o tempo estimado. A ressalva é que provas curtas exigem uma qualidade que a maratona não desenvolve: velocidade e tolerância a ritmo alto. Sem trabalho específico nisso, o resultado pode ficar próximo da previsão em vez de superá-la.