O que é o FFMI normalizado e por que ele existe?
Dividir a massa magra pela altura ao quadrado corrige a maior parte da diferença de tamanho, mas não toda: pessoas mais altas tendem a apresentar índices um pouco menores mesmo com proporções equivalentes, porque a massa não cresce exatamente com o quadrado da estatura. A normalização soma uma correção que ajusta o valor para o equivalente a 1,80 m de altura, permitindo comparar alguém de 1,65 m com alguém de 1,95 m na mesma régua. Para quem tem exatamente 1,80 m os dois números coincidem. Quanto mais longe dessa altura, maior a diferença entre eles.
Um FFMI acima de 25 prova que a pessoa usa esteroides?
Não prova nada, e usar o índice assim é uma distorção do estudo original. O trabalho de Kouri e colaboradores, de 1995, comparou dois grupos de atletas e observou que praticamente nenhum dos que não usavam substâncias ultrapassava 25 no valor normalizado. Isso descreve o comportamento de uma amostra específica, com um número limitado de participantes e um método de estimativa de gordura sujeito a erro — não é um teste. Genética, anos de treino e a própria imprecisão da medida de percentual de gordura movem o resultado facilmente em um ou dois pontos. Nenhuma organização antidoping usa FFMI como critério, justamente porque ele não serve para isso.
Meu FFMI muda se eu ganhar ou perder gordura?
Em teoria não, e essa é a graça do índice: ele usa apenas a massa livre de gordura, então ganhar cinco quilos de gordura pura deixaria o valor intacto enquanto o IMC subiria. Na prática há um detalhe importante — o FFMI depende de você saber sua massa magra, que quase sempre vem de uma estimativa de percentual de gordura. Se essa estimativa erra, o índice erra junto. Por isso mudanças pequenas, de dois ou três décimos entre uma medição e outra, costumam ser ruído do método e não alteração real de tecido.
Quanto tempo leva para subir um ponto de FFMI?
Para alguém de 1,75 m, um ponto de FFMI equivale a cerca de três quilos de massa magra. Nos primeiros meses de treino de força bem conduzido isso pode acontecer em um semestre; depois de alguns anos treinando, o mesmo ganho pode levar vários anos e nunca mais se repetir na mesma velocidade. A curva é fortemente decrescente e nenhum ajuste de rotina reverte isso. Quem chega aqui esperando um cronograma costuma sair com uma informação mais útil: a partir de certo ponto, manter o que já existe passa a valer mais do que perseguir o próximo décimo.
O índice serve para quem não treina?
Serve, e talvez seja aí que ele tenha o uso mais consequente. Fora do universo do treinamento, um índice de massa livre de gordura baixo é um dos sinais usados na avaliação de sarcopenia — a perda de massa e força muscular associada ao envelhecimento e a algumas doenças crônicas. Nesse contexto a preocupação não é estética: massa magra insuficiente se traduz em dificuldade para levantar da cadeira, subir escadas e se recuperar de internações. O diagnóstico envolve também testes de força e de marcha, mas o índice entra como uma das medidas de referência.