Perdi uma dose. Preciso recomeçar o esquema?
Não precisa, e essa é provavelmente a informação que mais alivia quem descobriu um atraso. Esquemas vacinais não são reiniciados por causa de intervalos maiores que o previsto — as doses já aplicadas continuam contando, e o que se faz é retomar de onde parou, respeitando os intervalos mínimos entre as doses restantes. Intervalos maiores que o recomendado não reduzem a proteção final; o que eles fazem é deixar a criança desprotegida por mais tempo até completar o esquema, e por isso a orientação é atualizar o quanto antes. Basta procurar a unidade de saúde com a caderneta em mãos, que a equipe monta o esquema de atualização. Há apenas exceções pontuais com prazo-limite rígido, como o rotavírus.
Pode aplicar mais de uma vacina no mesmo dia?
Pode, e é assim que o calendário foi desenhado — aos dois meses, por exemplo, são quatro vacinas na mesma visita. Administrar vários imunobiológicos simultaneamente é seguro e não sobrecarrega o sistema imunológico, que lida diariamente com um número de estímulos incomparavelmente maior que o das vacinas. Também não reduz a eficácia de nenhuma delas. As aplicações são feitas em locais diferentes do corpo, e a equipe da sala de vacinação conhece as poucas combinações que exigem intervalo específico. Adiar doses para espaçá-las por conta própria não traz benefício e prolonga o período em que a criança está vulnerável.
Febre depois da vacina é normal?
É comum e esperado em várias vacinas, e reflete a resposta do organismo ao estímulo. Costuma aparecer nas primeiras vinte e quatro a quarenta e oito horas, é de curta duração, e vem acompanhada de dor, vermelhidão ou inchaço no local da aplicação, além de irritabilidade e sonolência. Algumas vacinas, como a tríplice viral e a febre amarela, podem provocar febre mais tarde, entre o quinto e o décimo segundo dia. O que não é esperado e merece avaliação: febre muito alta e persistente, choro inconsolável por horas, convulsão, episódio de palidez intensa com moleza, ou reação local muito extensa. Qualquer evento assim deve ser comunicado à unidade de saúde, que faz a notificação e orienta as doses seguintes.
Criança resfriada pode tomar vacina?
Pode, na grande maioria das vezes. Resfriados, tosse, coriza e febre baixa não contraindicam vacinação, e adiar por causa disso é uma das principais causas de atraso vacinal evitável — a criança acaba perdendo a oportunidade daquela visita e voltando semanas depois. Doença aguda moderada ou grave, com comprometimento do estado geral, é motivo para adiar até a melhora, e essa avaliação é feita na própria sala de vacinação. Uso de antibiótico também não impede vacinar. As contraindicações verdadeiras são poucas e específicas, como reação anafilática a dose anterior ou a componente da vacina, e imunossupressão em relação às vacinas de vírus vivo — situações que a equipe identifica.
Perdi a caderneta de vacinação. E agora?
O registro das doses aplicadas fica no sistema de informação do programa de imunizações, então a perda do documento físico não significa perder o histórico. As doses aplicadas nos últimos anos podem ser consultadas pelo aplicativo Meu SUS Digital, onde existe a caderneta digital, e a unidade de saúde também consegue verificar e emitir uma segunda via. Quando não é possível recuperar o registro de forma alguma, a conduta usual é considerar a criança como não vacinada para aquelas doses e refazer o esquema, o que é seguro — receber uma dose a mais não causa dano. Vale fotografar a caderneta a cada atualização: é a forma mais simples de nunca depender disso.